sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

LUSITANOS - TRAJE

O sago era uma espécie de túnica ou gibão, com mangas curtas, comprido até aos joelhos e de diversas cores, geralmente no tom do material em que eram feitos, sendo preso por um cinturão de couro ou por tiras de pele entrançada. Era, o sago, confeccionado em lã grosseira e forte, pele de cabra ou linho, conforme a região de proveniência.

Alguns eram providos de capuz. Sobre este vestiam um manto que consistia num pedaço de fazenda (lã) ou pele de cabra cortada em semicírculo, ou em duas partes, unidas nos ombros por uma costura, podendo ser igualmente fixos por um colar ou fibula.

Engalanavam-se nos braços e pescoço com braceletes e aros de ouro, bronze, etc., assim como utilizavam alfinetes, pregadores, presilhas e toda a espécie de amuletos decorativos.
Lusitano
Original de mestre Carlos Alberto Santos
Por especial autorização para este blogue
Colecção particular

 Nalgumas tribos havia o hábito de fazerem tatuagens e pinturas no corpo.
Original do mestre Carlos Alberto Santos
Por especial autorização para este blogue
Colecção particular

Utilizavam, igualmente, peles curtidas  de urso ou lobo, com o respectivo crânio, o qual adaptavam à cabeça, deixando cair a pele pelas costas, outras vezes cingiam-nas ao corpo unindo-a, sob o peito, com as garras do animal.
Pormenor de uma gravura do século XIX
Colecção particular
Calçavam uma espécie de botins entretecidos de fibras de animais, crina, linho, esparto, pele de javali, etc..


Observações:
No que diz respeito às cores dos tecidos nunca se chegou a nenhuma conclusão, uns dizem que trajavam com cores vivas, outros que utilizavam vestes escuras, etc., efectivamente é bastante difícil conseguir um "género lusitano" na medida em que não havia uniformidade absolutamente nenhuma; os hábitos e tradições variavam de tribo para tribo, assim como também é necessário ter em conta o clima, o terreno e a variedade da "matéria prima" disponível nos diversos locais onde habitavam.

É igualmente necessário ter em conta a grande influência romana que o período de Sertório trouxe aos Lusitanos. Neste sentido poder-se-á afirmar que existiram três épocas distintas no que diz respeito ao armamento, traje, costumes, etc., que poderão ser assim divididas:

1.ª época: pré-Viriato que se poderá considerar a mais primitiva.

2.ª época: Viriato que é o período em apreciação.

3.ª época: Sertório ou seja a da romanização.

Texto  e uma ilustração de: marr

LUSITANOS (continuação)


Guerreiro Lusitano
Nós não sabemos como reagiram os Lusitanos quando pela primeira vez se encontraram perante outro povo que invadia os seus terrenos. Mas o país era grande e permitia lugares e comida para mais gente. Assim sucederam-se várias invasões de povos, vindo do sul, do norte e do oriente. O País absorveu todos e nele acabaram por se misturar, formando novos povos dos quais os LUSITANOS eram um entre outros. Historiadores há que até põem em causa a sua existência, lançando dúvidas sobre se alguma vez existiram, por falta de provas, Mas esta atitude é errada porque existem de facto provas suficientes que nos mostram que a antiga LUSITÂNIA ocupava grande parte do que é hoje Portugal, incluindo até à zona de Salamanca e Mérida, conforme foi dito. Esta última até chegou a ser a sua capital no período romano. Emérita Augusta, seu nome, era a cidade onde os velhos combatentes das legiões romanas recebiam casa e comida oferecida pelo Senado de Roma em agradecimento pelos bons serviços militares prestados durante uma longa vida a guerrear em todas as fronteiras do Império Romano. E disso eram merecedores.

Não sabemos os nomes dos mais antigos habitantes da LUSITÂNIA, mas sabemos que as invasões  dos Iberos, vindos no século XV AC, do Norte de África, hoje classificados por alguns historiadores como sendo provavelmente Hebreus, Ibero-Ebero-Hebreu, umas das perdidas tribos que saíram do Egipto em época de Moisés. Entraram na Península dando-lhe o nome de Ibéria.

Durante o primeiro milénio AC deram-se diversas invasões de povos nórdicos de origem Celta. Nomeadamente nos séculos X, VII, VI e V AC. A partir dessa época passou-se a classificar os povos da península como CELTIBÉRICOS a quem os LUSITANOS PERTENCIAM. Eles, por sua vez, sofreram as invasões romanas desde o século II AC e mais tarde as dos Alamanos, Suevos, Vândalos, Alanos e Visigodos nos séculos V, VI e VII DC.




LUSITANO
Segundo Bordalo Pinheiro

Os LUSITANOS misturaram-se com todos eles e quando se dá a entrada árabe na península no século VIII DC já não se pode falar de "Povo Lusitano", se quiser, mas sim na formação da cultura moçárabe que incluía cristão, judeus e muçulmanos que viviam harmoniosamente juntos nas cidades e separados por aldeias no resto do País.

Aquando D. Afonso Henriques conquistou o poder e lidera a formação de Portugal como nova Nação simplesmente expulsou a hierarquia dos califados árabes que se tinham apoderado da zona da antiga LUSITÂNIA. Encontrou o País parcialmente cristão com uma população resultante da mistura de todos os povos que aqui deixaram a sua marca.

Os invasores foram: Iberos, Celtas, Romanos, Suevos, Alanos, Vândalos, Visigodos e os Árabes, mas muitos outros, também cá estiveram, não como invasores, mas como parceiros comerciais, trocando mercadorias e introduzindo formas de escrita, língua, cultura e costumes, foram: Egípcios, Fenícios, Gregos, Etruscos e Ptolemaicos entre outros que entraram em contacto com a LUSITÂNIA e deixaram as suas influências.



Todos os povos da bacia do Mediterrâneo que construíram embarcações de "alto mar" mais cedo ou mais tarde encontraram, os seus caminhos até aos portos da LUSITÂNIA bem como os povos Nórdicos que passaram por aqui para poderem entrar no MARE NOSTRUM (nome dado pelos romanos ao Mediterrâneo, os povos nórdicos chamavam-lhe MAR DOS VÂNDALOS ).

Estátua de São Jorge de Vizela
A capacidade de sobreviver, de aceitar o que se considerava vantajoso e aceitável dos novos invasores, de se misturar com eles mantendo-se fiéis a si mesmos, rejeitando o que era considerado indesejável das influências de fora, RAPIDAMENTE SE TORNOU NUMA DAS CARACTERÍSTICAS LUSITANAS.
Texto coorden. por: marr


 

GUERREIRO  LUSITANO
desenho do mestre Carlos Alberto santos
Por especial autorização para este blogue
Colecção particular