sábado, 21 de maio de 2011

A CONQUISTA DE SILVES POR D. SANCHO I EM 1189

DESCRIÇÃO DE SILVES POR UM CRUZADO


Colecção particular

(...) Tem muitas casas e mansões ameníssimas; é cingida de muros e fossos, de tal modo que nem uma só choupana se encontra fora dos muros, e dentro de elas havia quatro ordens de fortificações, a primeira das quais era como uma vasta cidade estendida pelo vale chamado "Rouvale". A maior estava no monte e davam-lhe o nome de "Almedina" tendo outra fortificação na encosta que desce para o mesmo vale a fim de proteger o canal das águas e um certo rio chamado "Arade" ou "Drade"; outro corre para o mesmo, o qual se chama "Odelouca"; e sobre o canal há há quatro torres, de modo que  por aqui se provesse sempre água em abastança à cidade superior, e tem esta fortificação o nome de "Coirasce" (...)

 

Colecção particular

(...) As entradas pelas portas eram de tal modo angulosas e tortuosas, que mais facilmente seriam escalados os muros do que entraria alguém por elas. Abaixo da primeira era o castelo que se chamava "Alcay". Também havia uma grande torre no "Rovale", e tinha uma estrada coberta para a "Almedina", de modo que dela se podia ver o que se passava de fora dos muros da "Almedina", e os que acometessem os muros de revés pudessem ser atacados da torre, e da parte oposta, e esta chamava-se "Alvierna" (...) também se deve notar que as torres estavam tão perto dos muros de cada cidadela, que qualquer pedra atirada de uma delas cruzava até à terceira e em algumas partes ainda eram mais próximas (...).


In: Relação da Derrota Naval, Façanhas e Sucessos dos Cruzados que Partirão do Escalda para a Terra Santa no Anno de 1189. Escrita em Latim por Hum dos Mesmos Cruzados, Traduzido e Annotado por João Baptista da Silva Lopes., Lisboa 1844, pp. 14, 15 e 16.

Coorden. do texto: marr

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A CONQUISTA DE SILVES POR D. SANCHO I EM 1189

ARMAS DEFENSIVAS DOS MUÇULMANOS


Colecção particular




No que diz respeito a este tipo de armas torna-se extremamente curioso observar que muito do material acabou por ser adoptado, mais tarde ou mais cedo, pelos exércitos cristãos, embora tal tenha tido mais influência nos territórios que por eles estavam ocupados, assim como o inverso também aconteceu.






PROTECÇÕES
 DA
CABEÇA E PESCOÇO


MAGFAR
Protecção em cota de malha, esta podia ser totalmente fechada protegendo toda a cabeça, faces e pescoço, deixando ficar só o rosto à mostra; outros seriam no género do camal.

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BOTUTE
Defesa do pescoço em ferro. Curiosamente entre os cristãos, esta gola de ferro (gorjal) apareceria sensivelmente no século XIII, quando se começou a substituir as cotas de malha pelas armaduras, principalmente quando se abandonou o camal.

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COBERTURAS DE CABEÇA
Existia uma enorme variedade de capacetes com as formas mais diversas; havia-os de metal ricamente cinzelados ou encrostados, outros tinham umas saliências onde ia prender o camal que servia para proteger o pescoço e a face, além de um nasal móvel.




Colecção particular

Colecção particular

 













 
 
 
 

Colecção particular

Quase todos eram semi-esféricos, terminando em bico, podendo ser confeccionados em ferro, couro ou outros materiais. Geralmente o turbante, quando utilizado, era enrolado à volta das protecções de cabeça.



PROTECÇÕES
DO
TRONCO E PERNAS




ALGALOTA
Espécie de túnica de cores variadas onde os nobres pintavam distintivos, emblemas, frases, etc.

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A partir do século XIII os exércitos europeus, passaram a utilizá-la, embora mais comprida, tendo-lhe dado diversos nomes como cota-de-armas, brial, etc, tendo passado a ser armoriadas. Um dos objectivos dessa "túnica" seria o de proteger as cotas de malha dos raios solares e como forma de identificação do cavaleiro.


 
MUSCA
Camisa de pano que cobria e protegia o corpo, tendo as mangas em malha de ferro, sobre esta colocava-se o peito.



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ZARDIA
Cota de malha que descia sensivelmente até aos joelhos e tinha mangas compridas.



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PEITOS
Defesa do tronco feito em ferro, utilizavam-se por cima da musca; geralmente eram muito decorados:

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Outras levavam uma grande variedade de defesas:


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ESCUDOS


Escudo de madeira reforçado a
couro
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Os muçulmanos tinham uma variedade muito grande de escudos que eram fabricados de diversos géneros de materiais, como peles, nervos de animais, madeira, etc. Para resistir aos golpes de ponta eram reforçados na sua espessura com várias camadas de couro.










Escudo de nervos de animais reforçado
com varias camadas de couro
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Escudo com franjas que serviam para a
protecção contra as setas
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DARCA
Escudo de pequenas dimensões, muito leve e o mais utilizado. Praticamente era a única arma defensiva dos peões e havia-os das mais diversas formas: ovais, redondos, com pregos, com um bico no centro, de feitio irregular, outros muito decorados, etc.
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Texto e ilustrações: marr