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sábado, 16 de julho de 2011

A CONQUISTA DE SILVES POR D. SANCHO I EM 1189

MÁQUINAS DE GUERRA

(...) não tomavam folego hum só instante, ora preparando instrumentos para o assalto, ora acommettendo e sendo acommettidos com máquinas (...)


Colecção particular
 Como é do conhecimento geral, as máquinas de guerra, segundo alguns autores, já vêm do tempo dos Gregos embora tenham sido os Romanos quem mais as tenham utilizado.

Durante o cerco de Silves, estas máquinas eram comuns aos dois opositores não havendo praticamente nenhuma diferença; por isso, limitar-me-ei a apresentar alguns modelos que foram utilizadas por sitiantes e sitiados.


Colecção particular
(...) estavão assestadas da parte do norte quatro maquinas, huma nossa e tres dél-rei, e os mouros tambem contra ellas levantárão quatro (...)


TRABUCOS
(...) assentámos os arraiaes tão perto, que nelles vinham cahir as pedras atiradas dos muros com trabucos (...)

Esta terá sido uma das máquinas mais utilizadas no cerco de Silves;  já na tomada de Lisboa tinham sido empregues. Os contrários também as tinham dentro das muralhas e foram muito usados.

Utilizavam-se para arremessar pedras e outro tipo de projécteis incendiários. Funcionavam pelo sistema de contrapeso, sendo formado por um grande cavalete no qual girava sobre um eixo ou munhões horizontais; a um quarto do seu comprimento,, uma grande viga ou braço de madeira lastrada, na extremidade mais curta, por um grande peso. O braço ficava geralmente vertical, com o peso para baixo, mas quando se queria fazer funcionar era colocado horizontalmente, puxando-o cinquenta ou cem homens pela extremidade mais elevada, para baixo, até ser fixada num gatilho junto ao chão. O grande peso motor ficava portanto elevado no ar. Soltando-se o gatilho este peso descia com enorme violência atirando com o outro lado para cima e arremessando o projéctil colocado na funda, como se fosse um fundibulário gigante.

Colecção particular

Este engenhos podiam arremessar pedras de 100 ou 200 quilos de peso que derrubavam torres e muralhas, abrindo-lhes grandes brechas. Uma máquina destas teria um braço com cerca de 15 metros e um contrapeso de 9 toneladas, podendo o seu alcance ser de sensivelmente 300 metros para uma pedra de 130 quilos, tudo dependendo da dimensão do trabuco.

Por vezes eram arremessados cadáveres ( de combatente, cavalos e de outros animais) para dentro das cidades sitiadas a fim de provocar nelas a peste ou outras doenças contagiosas.

ESCADAS DE ASSALTO
(...) e nos preparamos de escadas para escalar os muros (...).

Esta eram de diversos modelos e tamanhos. Umas eram providas de ganchos numa das extremidades para se poderem engatar nas muralhas, outras tinham dois pés que as sustinham direitas sem cair e, finalmente, tínhamos as escadas normais e construídas conforme se podia.

TORRES DE ASSALTO
(...) por muitos dias nos démos a preparar maquinas, torres, escadas (...)



Colecção particular

Colecção particular























Também chamadas "torres móveis ou volantes", tratava-se de uma torre de madeira provida de rodas ou que se deslocavam ao rolarem sobre troncos lisos até chegarem às muralhas dos castelos. Tinham diversos andares, conforme a altura das muralhas. Algumas possuíam uma espécie de ponte levadiça que abria ao chegar os muros dos castelos ou no caso de não a possuírem lançavam-se tábuas para se poder dar o assalto.
Colecção particular

Estas torres, feitas de madeira, eram cobertas por peles verdes e molhadas ou por vegetação fresca, afim de se poder proteger a madeira dos objectos incendiários que eram lançados do alto das muralhas.

Colecção particular

ARÍETE
Instrumento para bater as muralhas ou portas das cidades. Na prática consistia numa grossa e pesada viga de ferro armada numa das extremidades com uma peça de ferro geralmente em forma de cabeça de carneiro ou com um bico.

Colecção particular
Colecção particular







Este podia transportar-se a braços ou sobre rodas. Os mais ligeiros eram percutidos à mão; os mais pesados eram suspensos e imprimia-se-lhe um movimento de pêndulo contra o local pretendido.


Colecção particular


OURIÇO
(...) nós os Teutónios, logo de madrugada, assestámos huma maquina, a que chamamos ouriço, contra o muro (...)

Sobres este "instrumento de bater" já muito se analisou sem se chegar a definir a sua forma (A cidade de Silves num Itinerário Naval do Século XII por um Cruzado Anónimo, doc.5, pp.112 e 116. Co-edição Távola Redonda e C. M. de Silves, 1999). Contudo, poder-se-á chegar à conclusão de que se tratava de um aríete, coberto e com rodas, possivelmente com a ponta ou pontas em bico, ficando, por isso, com o aspecto de um "ouriço";


Colecção particular
Uma vez que a extremidade com a "cabeça de carneiro" era utilizada para destruir portas ou muralhas mais frágeis e a ponta ou pontas de ferro para abrir brechas ou desmoronar muralhas.

(...) esta maquina era formada de grandes vigas cobertas com pranchões novos das náos. E sobre estes camadas de terra, argamassa, e bitume. Os mouros logo acodirão lançando-lhe em cima muita estopa, azeite, e fogo, com que queimárão a maquina, e tanto mais por ser ella de enorme pezo, e não se poder puxar facilmente para fora (...) no dia seguinte tornámos a trabalhar com a nossa maquina contra as mesmas torres, e com tanto empenho que conseguimos derrocar huma parte do muro (...)

OUTROS DIVERSOS ENGENHOS
(...) e muitos dias nos démos a preparar maquinas (...) e outros diversos engenhos para dar assalto à cidade (...)

Por este título não específico poderemos ter em consideração outro tipo de máquinas que eram muito utilizadas na situação em análise, assim temos:

MANGANOTE
Compunha-se, esta máquina, por uma haste (verga) de madeira rodando à volta de um eixo horizontal, na extremidade do braço menor tinha um contrapeso e na outra uma funda onde se colocavam projécteis a arremessar.

Regra geral lançava pedras esféricas, barris com nafta e outros materiais inflamáveis. Havia-os de diversos tamanhos, ou seja ligeiros:


Colecção particular

pesados:

Colecção particular

O sistema de engate da funda era do seguinte modo:


Colecção particular
O tiro era curvo, isto é, por elevação:


Colecção particular

BALISTA
Segundo Mayem e outros autores: " a balista lançava pedras exclusivamente já em uma só massa de oito a doze quintais, já em cestos à maneira da moderna metralha. Nos sítios,não só serviam para ferir, romper e transtornar, senão para introduzir nos castelos barris com mistos incendiários, com imundícies e até cadáveres para empestar ou infeccionar o ar".


Colecção particular

É natural que se tenham utilizado, dos dois lados, algumas destas máquinas. Neste caso havia-os de diversos modelos e tamanhos. Contudo aos poucos foi-se deixando de utilizar estes engenhos porque eram de fabricação muito difícil; assim preferiam o trabuco, que com algumas árvores se podiam construir e eram de maior efeito.


Colecção particular
Ilustrações e texto: marr

domingo, 12 de junho de 2011

A CONQUISTA DE SILVES POR D. SANCHO I EM 1189

ARMAS OFENSIVAS DOS MUÇULMANOS

ESPADA BRANCA
Tinha a guarda virada para baixo. Este nome era dado principalmente às espadas direitas e que tinham um aço de qualidade (nitidez). Este nome deu origem à nossa denominação de "arma branca".

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ALFANGE
Arma de folha larga, relativamente curta, curva e de um só gume
Colecção particular


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CIMITARRA
Arma cuja folha ia alargando da guarda para a ponta, sendo de um dos lados toda afiada e do outro, cerca de um terço a contar da ponta.

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Colecção particular


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IATAGAN
Arma de lâmina, geralmente direita, mais curta que a espada e que era utilizada com ou sem bainha.

Além destes modelos ainda havia outros cujo nome indicava a sua proveniência: Iamaná que vinha do Iémene; Indica da Índia; Damasquina de Damasco, etc. Em baixo apresentam-se diversos modelos de espadas e de varias origens.

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PUNHAIS

Havia-os de formas e comprimentos muito variados:


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ALMARDA
Pontiagudo de secção triangular e com corte

AGOMIA
Recurvado para dentro:
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LANÇAS
(...) e os mataram (os cristãos) cruelmente às lançadas e estocadas(...)

Este tipo de arma ofensiva era muito utilizada. Havia-as de diversos comprimentos e com ferros de formas muito variadas, regra geral eram mais leves que a dos cristãos. Algumas tinham, logo abaixo do ferro, uma bandeira ou um pequeno penacho de crina de várias cores. Os muçulmanos prestavam muita atenção à esgrima de lança, a pé e a cavalo.

Muita lanças eram incendiárias, para esse efeito levavam preso, junto ao ferro, uma cápsula de nafta à qual largavam fogo antes de ser arremessada.

GORGUZ
Extremamente leve, com cerca de quatro metros de comprimento, tendo na ponta um ferro muito aguçado e comprido:

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AZAGAIA
Curta, leve e com ferros de muitas formas, poder-se-ia considerar um dardo.

TRASEBETE
Bastante pesada, geralmente utilizada para ser lançada das muralhas contra o inimigo

INCENDIÁRIA
Conforme o nome indica eram lanças dotadas de uma cápsula de nafta :

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MAÇA DE ARMAS
Havia, igualmente, uma grande variedade em madeira e ferro, tendo num dos extremos bicos, cabeças de pregos, etc.

MAÇA DE FOGO 
Esta arma de arremesso era extremamente interessante: tratava-se de uma maça que tinha uma cápsula de nafta e podia ser arremessada a grande distância a arder:

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BESTA

CAUÇALARAB


Colecção particular

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Arma muito leve, de fácil manejo e muita rápida a armar, embora o seu poder penetrante não fosse tão eficaz quanto a dos cristãos, mas foi por eles adoptada.
CEÁME
Virotes geralmente emplumados no conto e com ferros das mais diversas formas:

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ARCO E SETA

QUEBADE


Arco de mão constituído por três peças ligadas por intermédio de tendões de animais e de uma só curva. Utilizava-se o bambu e a madeira na sua construção. Para se obter mais consistência e flexibilidade ao arco, envolviam-se os tendões numa massa que consistia numa resina extraída de uma árvore chamada "neba", misturada com vinagre e "raspa de chifre" de veado.
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As cordas do arco, eram geralmente de seda, tiras de pele, tripa, algodão, etc.

NÍVEL
Setas confeccionadas em cana, bambu, madeira ou ferro. Havia uma grande variedade, quer no comprimento, quer nas pontas de ferro que podiam ser rebarbadas, em forma de dentes de serpente, de coração, facetadas, etc.
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INCENDIÁRIA SIMPLES
Como o nome indica levavam um pequeno cartucho de nafta:

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INCENDIÁRIA COMPOSTA
Geralmente era um conjunto de três setas, ligadas entre si, sendo a do meio mais comprida; todas levavam cápsulas com matérias incendiárias:


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Guerreiros muçulmanos transportando artefactos incendiários
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Texto e ilustrações: marr

terça-feira, 31 de maio de 2011

A CONQUISTA DE SILVES POR D. SANCHO I EM 1189

ARMAS OFENSIVAS DOS CRISTÃOS


PUNHAL
Arma branca, curta, muito utilizada durante este período. Havia-os de muitos formatos e dimensões:


Colecção particular

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Colecção particular


Colecção particular
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LANÇA
Embora se trate de uma "arma de haste" não a inclui nesse título, por serem bem distintas das outras e, curiosamente, era uma arma própria dos cavaleiros e tinha bastantes variantes, possivelmente conforme o formato do ferro (ponta). Tinham cerca de quatro metros de comprimento, embora esta medida variasse um pouco. Se combatiam desmontados a lança era mais curta. Durante as marchas e antes do cavaleiro a utilizar era geralmente transportada pelo escudeiro.
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Colecção particular

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 ACHA DE ARMAS
Para os cavaleiros havia dois tipos desta arma: uma de cabo curto de ferro ou madeira, para ser manejada com uma só mão:


Colecção particular

e outra, com o cabo longo, para ser utilizada com as duas mãos:
Colecção particular
Este género de armas transportavam-se suspensas no arção da sela, no lado direito.






MACHADO DE ARMAS
Trata-se de uma arma cujo ferro tinha diversas formas, com um cabo suficientemente comprido para se poder manejar, à vontade, com as duas mãos e que era utilizado pelos peões.
Colecção particular
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ARMAS DE HASTE
Estas não eram mais do que derivações dos utensílios agrícolas, como foi dito. A variedade de ferros era imensa. Consideravam-se armas de estoque e corte, sendo extremamente perigosas:
Colecção particular
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Além destas, ainda se podem considerar o pique:
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A partazana que além da ponta tinha geralmente duas orelhas laterais:

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A bisarma, era uma espécie de foice afiada de um lado ou de ambos e de cujo lado convexo saía perpendicularmente um espigão em forma de ângulo recto que servia para atacar de estocada, enquanto a foice era empregue para decepar as patas dos cavalos.
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CHICOTE DE ARMAS
Arma de mão composta por um cabo de madeira ou ferro tendo na ponta uma cadeia de correntes de onde pendiam esferas de ferro ou madeira com bicos:
Colecção particular
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BESTA

Arma de arremesso constituída por uma coronha e um arco colocado transversalmente. Este tipo de arma tinha uma espécie de estribo na parte da frente, onde o seu possuidor colocava o pé para tender a corda,

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 sendo disparada por uma espécie de gatilho:

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Esta arma tinha diversos nomes conforme o mecanismo com que se armava:

LIGEIRA
Armada com a mão:

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GARRUCHA
Armada por intermédio de um gancho ou garra de ferro preso a um cinto:

Colecção particular
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PÉ-DE-CABRA
Armada por meio de uma alavanca que levava esse nome:
Colecção particular


Colecção particular

VIROTE
Seta curta, geralmente emplumada no conto:
Colecção particular


As pontas variavam muito quanto à forma, podendo ser lisas, com rebarbas, facetadas, etc. Eram transportadas na Aljava que podia ser confeccionada em couro, pano, etc.



Colecção particular
 A grande maioria das pontas dos virotões eram envenenadas com suco de "Hellebero" ou "Várato Negro", vulgarmente chamado de "erva dos besteiros".


As bestas mais potentes lançavam virotões, que chegavam a pesar 150 gramas, a uma distância de quase 400 metros com uma precisão extrema, sendo a sua força de penetração muito grande, sobretudo se o impacto fosse perpendicular ao alvo.



ARCO E SETA
(...) posto que muitos delles nas torres erão tambem feridos pelos nossos frecheiros (...)


Colecção
particular
Colecção
particular
O arco era formado por uma haste de metal ou madeira flexível cujas extremidades eram ligadas por uma corda de couro ou tripa, que esticada atirava setas ou frechas.

O arco normando media pouco mais de um metro, enquanto o inglês atingia cerca de dois. O italiano e o alemão eram geralmente de metal e tinham cerca de um metro e meio.

A seta era composta por uma haste de madeira, geralmente teixo; o seu comprimento, em média, era de noventa centímetros; numa extremidade tinha uma ponta de ferro e na outra penas.

A frecha era uma haste de ferro ou osso, farpado ou liso com a ponta terminando num bico muito afiado.

Texto e ilustrações: marr