quinta-feira, 27 de outubro de 2011

VELHOS ESTANDARTES V

ESTANDARTE
DE
D. NUNO ÁLVARES PEREIRA
Colecção particular

Foi este estandarte idealizado por D. Nuno Álvares Pereira, o que demonstra uma revelação dos piedosos sentimentos do Santo Condestável.

A sua bandeira particular era branca, dividida ao centro em quatro campos por uma cruz vermelha; a cruz do escudo de Galaad, tinta no sangue do redentor; em cada quarto tinha uma imagem piedosa e nos quatro cantos outros tantos escudos da sua linhagem que era a dos Nuno Álvares.




D. Nuno Álvares Pereira
Quado do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*
No primeiro quarto via-se Jesus Cristo crucificado e aos pés da cruz sua Mãe a Virgem Maria, de um lado e do outro São João, o discípulo amado. No segundo quarto superior, estava a Virgem com o menino ao colo. No terceiro inferior, São Jorge de joelhos, rezando a Deus de mãos postas e finalmente no último quarto, o apóstolo das Espanhas São Tiago, na mesma atitude.



PEQUENO APONTAMENTO HISTÓRICO:

ALJUBARROTA
1385
                        28
Deu sinal a trombeta castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas, de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escuitaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.

                                                               30
                                       Começa-se a travar a incerta guerra;
                                       De ambas partes se move a primeira ala;
                                       Uns, leva a defensão da própria terra,
                                       Outros, as esperanças de ganhá-la.
                                       Logo, o grande Pereira, em que se encerra
                                      Todo o valor, primeiro se assinala;
                                      Derriba e encontra, e a terra enfim semeia
                                      Dos que a tanto desejam, sendo alheia.


Batalha de Aljubarrota
Iluminura da época (bnf)

                      31
Já pelo espesso ar estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças, e as frequentes
Quedas co as duras armas tudo atroam.
Recrecem os imigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.

                                                                    42
                                           Aqui a fera batalha se encruece
                                           Com muitos, gritos, sangue e cutiladas;
                                           A multidão da gente que perece
                                          Tem as flores da própria cor mudadas.
                                          Já as costas dão e as vidas; já falece
                                          O furor e sobejam as lançadas;
                                         Já de Castela o rei desbaratado
                                         Se vê, e de seu propósito mudado.

Aljubarrota - Terminada a batalha, Antão Vasques de Almada,
apresenta a D. João I a bandeira do Rei de Castela
Gravura do século XIX
Colecção particular

                        43
O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida;
Seguem-nos os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida;
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da desonra e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.

                                                                45
                                       O vencedor Joane esteve os dias
                                       Costumados no campo, em grande glória;
                                       Com ofertas despois e romarias
                                       As graças deu a quem lhe deu vitória.
                                       Mas Nuno, que não quer por outras vias
                                      Entre as gentes deixar de si memória
                                      Senão por armas sempre soberanas,
                                     Pera as terras se passa transtaganas.

Lusíadas, Canto IV, Est.28, 30, 31, 42, 43 e 45



Batalha de Aljubarrota
Gravura inglesa da época

*Autorizada a publicação neste blog pelo autor e/ou proprietário.
Texto, Coorden e ilust.; marr

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

VELHOS ESTANDARTES IV

BANDEIRA DE D. JOÃO I


Colecção particular
Entendeu o rei D. João I, que a sua intervenção na consolidação da independência deveria ficar assinalada na bandeira e por isso inseriu a cruz da Ordem de São Bento de Avis.

D. João I
Quadro do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*
Da modificação resultante surgiu a nova Bandeira. A cruz florenciada, da Ordem de Avis, foi colocada sob a parte central do escudo sobressaindo as flores de lis dos extremos da cruz que assentavam na bordadura vermelha. Os castelos de ouro em número de doze são dispostos em esquadria de três, junto a cada vértice da bordadura. A parte central continua como anteriormente, a apresentar cinco escudetes de azul com a mesma disposição e  com um número variável de besantes de prata, umas vezes dispostos em: 3 - 2 - 3 - 2, outras reduzidas a cinco colocados em aspa, em cada escudete.


Estas variantes no número de besantes, aliás já anteriormente verificada, nota-se também na estátua jacente de D. Duarte, no
mulo existente em frente do altar-mor do mesmo Mosteiro.

PEQUENO APONTAMENTO HISTÓRICO:

D. JOÃO I
1385 - 1433

                          3
Ser isto ordenação dos Céus divina,
Por sinais muito claros se mostrou,
Quando em Évora a voz de ûa minina.
Ante tempo falando, o nomeou,
E, como cousa enfim que o Céu destina,
No berço o corpo e a voz alevantou:
-«Portugal, Portugal, (alçando a mão),
Disse) polo Rei novo, Dom João!»



Conquista de Ceuta
                                                                      12
                                      Joane, a quem do peito o esforço crece,
                                      Como a Sansão hebreio da guedelha,
                                      Posto que tudo pouco lhe parece,
                                      Cos poucos de seu reino se aparelha;
                                      E, não porque conselho lhe falece,
                                      Com principais senhores se aconselha,
                                      Mas só por ver das gentes as sentenças,
                                      Que sempre houve entre muitos diferenças.

(Lusíadas, Canto IV, Est. 3 e 12)



Conquista de Ceuta
Azulejos do Pátio dos Canhões no Museu Militar


ALGUNS ACONTECIMENTOS
IMPORTANTES DESTE PERÍODO


Batalhas de Trancoso, Aljubarrota e Valverde (1385)

Escaramuças, pequenos conflitos e guerra com Castela (1396 a 1411)
Conquista de Ceuta
Quadro do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*

Conquista de Ceuta (1415)

Conquista de Ceuta
Gravura do século XIX
Colecção particular
 *Autorizada a publicação neste blog pelo autor e/ou pelo proprietário. 
Texto e ilustrações: marr

domingo, 9 de outubro de 2011

VELHOS ESTANDARTES III

BANDEIRA DE D. AFONSO III
Colecção particular

Para comemorar a conquista de todo o Algarve e para autenticar a posse desse território, o rei D. Afonso III refundiu as Armas Reais colocando o escudo Nacional sobre o do Algarve; como este último era em campo vermelho orlado de castelos, ficou a orla dos castelos descoberta, aparecendo em roda do escudo português a bordadura vermelha, cor do sangue derramado, com 8 castelos de ouro, simbolizando as praças conquistadas a sul.


Gravura do séc. XVII
Colecção particular

O número de castelos, foi após o casamento do rei dom D. Beatriz de Castela, aumentado para nove. O número de besantes em cada escudete, foi por sua vez reduzido a 10 dispostos 3 - 2 - 3 - 2, mas tanto o número de besantes nos escudetes, como o número de castelos na bordadura apresentava-se, por vezes, variável. Estas variantes devem fundamentar-se porém, mais em razões de ordem estética, resultantes da fantasia dos desenhadores, do que por razões heraldísticas, pois tudo leva a concluir que a Bandeira Nacional durante este período se apresentava com cinco escudetes de azul, cada um carregado com besantes de prata que podiam variar muito em número de:15, 10 e até 5. A bordadura vermelha de início era carregada de 8 a 12 castelos de ouro e posteriormente com 14.

PEQUENO APONTAMENTO HISTÓRICO.

D. AFONSO III
1248 - 1279

Ilustração do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*
                           94
Por esta causa, o Reino governou
O conde bolonhês, despois alçado
Por rei, quando da vida se apartou
Sei irmão Sancho, sempre ao ócio dado.
este, que Afonso o Bravo se chamou,
Depois de ter o Reino segurado,
Em dilatá-lo cuida, que em terreno
Não cabe o altivo peito, tão pequeno.


                                                               














                                                                         95
Ilustração do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*
   Da terra dos Algarves, que lhe fora
  Em casamento dada, grande parte
  Recupera co braço, e deita fora
 O Mouro, mal querido já de Marte.
 Este de todo fez livre e senhora
 Lusitânia, com força e bélica arte,
 E acabou de oprimir a nação forte
Na terra que aos de Luso coube em sorte.


                    
                                 (Lusíadas, Canto III, Est.94 e 95)










ALGUNS ACONTECIMENTOS
IMPORTANTES DESTE PERÍODO

Tomada de Faro, Albufeira, Porches, etc., marcando assim o fim da Reconquista Portuguesa (1249)
Tomada de Faro
Azulejos que se encontram no Pátio dos Canhões do Museu Militar

Guerra contra Castela pela posse do Algarve (1250 a 1251)
Auxílio ao rei de Castela, na revolta Mudéjar (1265)




A Reconquista




*Autorizada a publicação neste blog pelo autor dos quadro e pelo respectivo proprietário.
Texto e ilustrações: marr

sábado, 8 de outubro de 2011

VELHOS ESTANDARTES II

BANDEIRA DE D. SANCHO I
Colecção particular
A investigação histórica mostra, que nos sinais rodados do pai de D. Sancho I, se encontram os escudetes em número variável, dispostos em cruz, com cinco besantes de prata em cada escudete; já nos selos autenticando cartas de confirmação passadas pelos nossos primeiros Reis, aparecem igualmente os cinco escudetes dispostos em cruz, umas vezes sem indicação de besantes e outras com um número exagerado deles.


Colecção particular

Colecção particular


















Também os escudetes de azul as apresentam carregados com um número variável de besantes, uma vezes 10, outras 11 e outras ainda 15 na configuração do escudo real, formato que se mantém no reinado de D. Sancho II.



Cruzado e Templário
Ilustração do
mestre Roque Gameiro

Segundo outras versões, os cinco escudetes representariam não os cinco reis mouros, mas as cinco chagas de Cristo e, segundo ainda outros os cinco ferimentos que o rei D. Afonso Henriques recebeu na Batalha de Ourique; pelo que respeita aos besantes de prata, há quem queira ver na sua representação, no escudo, a afirmação do direito de cunhar moeda, que D. Afonso Henriques considerou como pertencendo-lhe a partir do momento em que passou a intitular-se Rei.

Gravura e texto do séc.XVII
Colecção particular
Em qualquer das hipóteses, o que não nos oferece dúvidas é que a primeira bandeira das Quinas foi utilizada desde 1139 e era representada por cinco escudetes de azul em campo de prata, escudetes estes dispostos em cruz e com os laterais de pontas viradas para o centro, estando cada um carregado com um número variável de besantes de prata, mas predominando o número de 11 em cada escudete, dispostos em: 3 - 2 - 3 - 2 - 1.


PEQUENO APONTAMENTO HISTÓRICO:

D. SANCHO I
1185 - 1211

                        85
Sancho, forte mancebo, que ficara
Imitando seu pai na valentia,
E que em sua vida  já se exprimentara,
Quando o Bétis de sangue se tingia,
E o bárbaro poder desbaratara
Do ismaelita rei de Adaluzia,
E mais quando os que Beja em vão cercaram
Os golpes de seu braço em si provaram.



Ilustração do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*

                                                                   88
                                               Mas a fermosa armada, que viera
                                               Por contraste de vento àquela parte,
                                               Sancho quis ajudar na guerra fera,
                                              Já que em serviço vai do santo Marte.
                                              Assim como a seu pai acontecera
                                             Quando tomou Lisboa, da mesma arte
                                             Do Germano ajudado, Silves toma
                                             E o bravo morador destrui e doma.






Templário
Ilustração do mestre Carlos
Alberto Santos
Colecção particular*
                         89
E se tantos troféus do Mahometa
Alevantando vai, também do forte
Leonês não consente estar quieta
A terra, usada aos casos de Mavorte,
Até que na cerviz seu jugo meta
Da soberba Tui, que a mesma sorte
Viu ter a muitas vilas suas vizinhas,
Que por armas, tu, Sancho humildes tinhas.








(Lusíadas, Canto III, Est. 85, 88 e 89)








ALGUNS ACONTECIMENTOS
IMPORTANTES DESTE PERÍODO

Além do avultado papel de pacificação, povoamento e reforço da defesa das fronteiras, destaca-se:
Conquista dos Castelos de Alvor, Silves e Albufeira (1189)


Conquista de Silves
Ilustração de Augusto Trigo
Colecção particular*
Conquista das Praças de Tui e Pontevedra (1197)

* Autorizada a publicação para este blog pelo autor dos quadros e pelo respectivo proprietário.
Texto e restantes ilustrações: marr

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

VELHOS ESTANDARTES

BANDEIRA DE D. AFONSO HENRIQUES

As Armas que o antigo Portugal usava, julga-se ser "uma cidade branca em campo azul, sobre um mar de ondas verdes e douradas", que significavam o Porto Cale, junto à foz do Douro.

O Conde D. Henrique decidiu acabar com estas primeiras Armas, substituindo-as por uma "cruz azul em campo branco".

Colecção particular
D. Afonso Henriques utilizou as mesmas Armas de seu pai, mas em 1152, após treze anos da Batalha de Ourique e segundo Frei Cláudio da Conceição: "fez El-Rei um juramento do sucesso da Aparição de Cristo na Cruz antes da batalha, e mandou aos seus descendentes, que trouxessem por Armas cinco escudos postos em cruz, e em cada um deles trinta dinheiros, timbre a Serpente de Moisés, por ser figura de Cristo".

D. Afonso Henriques "O Conquistador"
Quadro do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*

PEQUENO APONTAMENTO HISTÓRICO:

O MILAGRE DE CAMPO DE OURIQUE
1139/1140

                                                                        42
                                              Mas já o príncipe Afonso aparelhava
                                             O lusitano exército ditoso
                                             Contra o Mouro que as terras habitava
                                             De além do claro Tejo deleitoso;
                                             Já no campo de Ourique se assentava
                                             O arraial soberbo e belicoso,
                                            Defronte do inimigo sarraceno,
                                            Posto que em força e gente pequeno.



                            43
Em nenhuma outra cousa confiado
Senão no sumo Deus que o Céu regia,
Que tão pouco era o povo baptizado
Que, pera um só, cem mouros haveria,
Julga qualquer juízo sossegado
Por mais temeridade que ousadia
Cometer um tamanho ajuntamento,
Que pera um cavaleiro houvesse cento.
Ilustração do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*
                                                                44
                                       Cinco reis mouros são os inimigos,
                                       Dos quais o principal Ismar se chama;
                                       Todos exprimentados nos perigos
                                       Da guerra, onde se alcança a ilustre fama.
                                       Seguem guerreiras damas seus amigos,
                                       Imitando a fermosa e forte dama
                                      De quem tanto os Troianos se ajudaram,
                                      E as que Termodonte já gostaram.








Milagre de Ourique - Gravura do séc. XVII
Colecção particular



                     45
À matutina luz, serena e fria,
As estrelas do Pólo já apartava,
Quando na cruz o Filho de Maria,
Amostrando-se a Afonso, o animava;
Ele, adorando quem lhe aparecia,
Na Fé todo inflamado, assi gritava:
-«Aos infiéis, Senhor, aos infiéis,
E não a mi, que creio o que podeis!»




                                                                    
                                                                         46
                                             Com tal milagre os ânimos da gente
                                             Portuguesa inflamados, levantavam
                                             Por seu rei natural este excelente
                                             Príncipe, que de peito tanto amavam;
                                             E diante do exército potente
                                             Dos inimigos, gritando, o céu tocavam,
                                             Dizendo em alta voz: -«Real, real,
                                             Por Afonso, alto Rei de Portugal!»

(Lusíadas, Canto III, Est. 42, 43, 44, 45 e 46)



Estátua de D. Afonso Henriques em Guimarães
no seu local primitivo
Gravura do séc. XIX - Colecção particular


ALGUNS ACONTECIMENTOS
IMPORTANTES DESTE PERÍODO

Batalha de São Mamede (1128)
Batalha de Campo de Ourique (1139/1140)
Batalha de Valverde (1141)
Conquista de Santarém
Quadro do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*
Conquistas de: Santarém, Lisboa, Sintra, Almada e Palmela (1147)

Conquista de Lisboa
Gravura do séc. XIX - Colecção particular































Conquista de Alcácer do Sal (1158 ou 1160)

Conquista de Alcácer do Sal
Quadro do mestre Carlos Alberto dos Santos
Colecção particular*
Conquista de Évora (1165)
Conquistas de: Serpa, Juromenha e Montáchez (1166)
Conquista de Beja (1172)



Ilustração do mestre Carlos Alberto Santos
Colecção particular*

* Autorizada a publicação para este blog pelo autor dos quadros e respectivo proprietário das obras de 
   arte.

Texto e ilustrações: marr