domingo, 17 de abril de 2011

EXÉRCITO AUXILIAR A ESPANHA 1793 A 1795 (Rossilhão e Catalunha)

DISTINTIVOS HONORÍFICOS

DECRETO CONCEDENDO AOS OFICIAIS E SOLDADOS ARTILHEIROS
DO
EXÉRCITO AUXILIAR A ESPANHA
 UM DISTINTIVO HONORÍFICO

DECRETO DE 17 DE DEZEMBRO DE 1795




"Para mostrar a Minha Real satisfação ao benemérito Corpo da Minha Brigada de Artilharia, que passou à Espanha. Sou servida Ordenar, que os Oficias do mesmoCorpo passam a usar para o futuro de uma peça de  artilharia bordada de prata sobre o braço direito, em sinal de distinção, e do mesmo modo os Cadetes do dito Corpo; os Oficiais Inferiores a trarão bordadas de seda, e os Soldados de lã branca. O Conselho de Guerra o tenha assim entendido, e fará expedir ao dito respeito as Ordens necessárias. Palácio de Queluz a dezassete de Dezembro de mil e setecentos noventa e cinco.
Com a Rubrica do PRÍNCIPE N. SENHOR"


Decreto da época. Colecção particular
 

DECRETO CONCEDENDO AOS OFICIAIS E SOLDADOS DE OUTRA ARMA

DO
MESMO EXÉRCITO UM DIVERSO DISTINTIVO HONORÍFICO

DECRETO DE 17 DE DEZEMBRO DE 1795

Colecção particular

Colecção particular

"Querendo dar a todos os Oficiais Generais, Coronéis, e mais Oficiais, Oficiais Inferiores, Cadetes, e Soldados do Meu Exército Auxiliar, que passou à Espanha, uma prova autentica da Minha Real Satisfação, pela distinção, e valor, com que procederam. Sou servida Ordenar, que todos os Oficiais Generais, que passaram a sobredita expedição, tragam bordado sobre o braço direito uma Granada de ouro, e os mais Oficiais, e Cadetes, uma de prata, em sinal de distinção: E outro sim Sou servida Ordenar, que os Oficiais Inferiores usem da mesma Insígnia bordada de seda branca e os Soldados de lã da mesma cor; exceptuando desta regra a Minha Brigada de Artilharia, à qual tenho mandado usar de outro distintivo. O Conselho de Guerra o tenha assim entendido, e o faça executar. Palácio de Queluz a dezassete de Dezembro de mil setecentos e noventa e cinco.
Com a Rubrica do PRÍNCIPE N. SENHOR"


Decreto da época. Colecção particular
 


BANDEIRAS
Como é do conhecimento geral um dos grandes problemas, no que diz respeito às bandeiras do nosso Exército, é o facto de não existir documentação sobre esse assunto em virtude do desaparecimento do Arquivo da extinta Junta dos Três Estados, que um incêndio consumiu quase na totalidade no terceiro decénio do século XIX e do aniquilamento quase completo do Arquivo da Tenência pelo Terramoto de 1755, privando-nos para sempre de informações preciosas que nos poderiam aclarar este assunto e tirar as muitas dívidas que surgem.


Colecção particular

No século XVIII sempre que se vê uma unidade de infantaria em formatura, as bandeiras que se podem observar, são esquarteladas de dezasseis quartéis, não se sabendo quais as suas cores; em nenhuma delas se vê o escudo de Armas Reais ou qualquer outro emblema; contudo Ernesto Sales na sua obra "Bandeiras e Estandartes"(1) esclarece-nos que em 1764 o Regulamento de Cavalaria indica que "todos os estandartes e timbales teriam as Armas Reais", assim como o "Regimento de Infantaria de Lippe, tinha uma bandeira cor-de-rosa com as Armas Reais ao centro e a Cifra Real nos ângulos".

Tudo faz supor que a grande maioria das bandeiras seriam verdes e brancas, que eram as cores da Casa Real,, tendo sido depois substituídas pelo azul-escuro e escarlate; também era hábito as bandeiras ostentarem as cores do libré do seu comandante, e apesar de se ter determinado a mudança das cores da Casa Real, não consta que fossem consideradas "cores nacionais" senão a partir do Decreto de 7 de Janeiro de 1796, em que foi ordenado que "os criados e oficiais da Casa Real, oficiais do Exército e soldados usem de laço azul-escuro (ferrete) e escarlate".

Uma vez mais Ernesto Sales nos indica que em 1792 entregaram-se bandeiras de "seda de nobreza" para o Regimento de Freire, e outras tantas para o regimento de Lippe e Setúbal, acrescentando em nota que :" do livro n.º 115 do Arquivo do Arsenal do Exército, a folhas 74, consta esta informação: O Almoxarife do Arsenal do Exército José Joaquim da Costa, entregou a Manuel José Gomes, mestre bordador do referido Arsenal, os géneros seguintes: 23 côvados de nobreza carmesim; 19 côvados de nobreza branca; 7 côvados de nobreza azul-ferrete; 7 côvados da mesma nobreza cor-de-rosa; 6 côvados de nobreza cor de ouro; 6 côvados de carmesim e meia resma de papel almaço grande. Tudo para feitura de dois jogos de bandeiras de infantaria, a qual entrega se fará com a arrecadação necessária. Lisboa 25 de Janeiro de 1792. Moniz"

Quanto aos desenhos e bordados que as bandeiras teriam, continuam envoltos em grande mistério e até 1806 nada ou muito pouco se sabe sobre as bandeiras militares, conhecendo-se apenas algumas cores que as compunham... uma ou outra gravura em livros da época, como  na "Milícia Prática"(2) ou em painéis de azulejos (3).

Notas:
(1) - Ernesto Augusto Pereira de Sales, Bandeiras e Estandartes Regimentais do Exército e da Armada
        e outras Bandeiras Militares (apontamentos), Lisboa 1930 p. 22 e 24.
(2) - Bento Gomes Coelho, Milícia Prática e Manejo da Infantaria, Lisboa 1740, Tomo II, fig. 2 e seg..
(3) - Painéis de azulejos existentes na sala do Palácio dos Condes da Calheta no "Pátio das Vacas" em
        Lisboa.




DISTINÇÃO HONORÍFICA ÀS BANDEIRAS
DOS
REGIMENTOS QUE FORAM AUXILIAR A ESPANHA

DECRETO DE 17 DE DEZEMBRO DE 1795
"Querendo Eu dar aso seis regimentos de infantaria do Meu Exército Auxiliar, que passaram à Espanha, provas manifestas da Minha Real satisfação, pelo valor com que serviram em toda a Guerra, e com que sustentaram a Glória do Nome Português: Sou servida Ordenar, que nas Bandeiras dos mesmos Regimentos se descreva para o futuro a letra seguinte: Ao Valor do I. Regimento do Porto; Ao Valor do II. Regimento do Porto; Ao Valor do I. Regimento de Olivença; Ao Valor do Regimento de Peniche; Ao Valor do Regimento de Freire; Ao Valor do Regimento de Cascais. E Ordeno, que entregando-se aos ditos regimentos Novas Bandeiras, com a referida letra, se publique na sua frente o presente Decreto. O Conselho de Guerra o tenha assim entendido, e o faça executar. Palácio de Queluz em dezassete de Dezembro de mil e setecentos noventa e cinco
Com a Rubrica do PRÍNCIPE REGENTE N.SENHOR"


Decreto da época. Colecção particular

Texto e ilustrações:marr



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